Posted by Annick Melo (:
On 11:11
Marjut Rimminem – Posso olhar para você e você provavelmente percebe que estou olhando para você. Antigamente quando eu olhava para uma pessoa, ela virava para o lado e perguntava “Com quem está falando?”. E isso era terrivelmente desagradável. Você não tem aquele contato com as pessoas. Eu lembro da minha mãe sempre olhando para mim com aquele olhar triste e deprimido. Olhando para mim, mas sem se comunicar comigo. Olhando através de mim como que dizendo “Coitada da minha filha, que horror”. E isso me afetou. Como se eu fosse um fracasso para que ela me olhasse assim. Mas eu estava decidida a não ser um fracasso, a lutar e fazer de tudo que pudesse, a escolher uma profissão na qual, possuindo algo único, conseguisse transformar essas cinzas em uma jóia. (…) Eu queria ser princesa como minhas colegas de classe, desempenhar o papel principal de princesa no teatro da escola, mas nunca fui escolhida para o papel de princesa. Meu papel era, frequentemente, o papel do rei. E eu passava a maior parte do tempo de cena embaixo de um pano cinza, transformada em pedra devido a um encantamento. No final da peça, quando o feitiço era quebrado, eu me levantava e podia voltar a ser rei durante aproximadamente dois minutos, e a peça acabava. Esse era meu papel. Então deixei de querer, depois de um certo tempo, parei de desejar o papel principal. Comecei a imaginar. E o fato de ser cineasta e de fazer cinema de animação me permite desempenhar todos os papéis. Eu manipulo os bonecos, desenho as personagens. Assim desempenho o papel de todas as personagens. O que me agrada muito. Finalmente consegui o papel da princesa ao qual sempre aspirei na escola. E o paradoxo em tudo isso é que logo depois da última operação, que foi bem sucedida e os olhos foram corrigidos, ninguém notou a diferença. Ninguém me disse: “O que houve com seu olho? Que maravilha!”. Ninguém notou. Então de que adiantou todo esse trauma? Foi uma lesão interna.
Posted by Annick Melo (:
On 11:07
Graham - As pessoas se dividem em dois grupos quando vivenciam um momento de sorte. O grupo número um vê como mais do que sorte, mais do que coincidência. Eles vêem como um sinal, uma evidência de que alguém está cuidando deles. O grupo número dois vê como pura sorte, um acaso feliz. Tenho certeza que o grupo número dois está olhando para essas 14 luzes de forma suspeita. Para eles a situação é meio a meio. Pode ser ruim, pode ser boa. Mas lá no fundo eles sentem que, não importa o que acontecer, eles estão sozinhos. E isso os enche de medo. Sim, existem essas pessoas. Mas tem muita gente no grupo número um e, quando eles vêem essas 14 luzes, eles vêem um milagre. E lá no fundo eles sentem que, não importa o que acontecer, haverá alguém lá para ajudá-los. E isso os enche de esperança. Você deve se perguntar que tipo de pessoa você é. Você é do tipo que quando vê sinais, vê milagres? Ou você acredita que as pessoas simplesmente dão sorte? Ou veja a questão dessa maneira: É possível que não existam coincidências?
Posted by Annick Melo (:
On 11:00
Estamira – Isso aqui é um depósito dos restos. Às vezes é só resto. E às vezes vem também descuido. Resto e descuido. Quem revelou o homem como único condicional ensinou ele a conservar as coisas. E conservar as coisas é proteger, lavar, limpar e usar mais, o quanto pode. Você tem sua camisa. Você está vestido, você está suado. Você não vai tirar sua camisa e jogar fora. Você não pode fazer isso. Quem revelou o homem como único condicional não ensinou a trair, não ensinou humilhar, não ensinou tirar. Ensinou ajudar. Miséria não, mas as regras, sim. Economizar as coisas é maravilhoso. Porque quem economiza tem. Então as pessoas têm que prestar atenção no que eles usam, no que eles têm. Porque ficar sem é muito ruim.
Posted by Annick Melo (:
On 10:55
José – Rapunzel, você é o meu sonho.
Rapunzel – Você também é o meu.